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   urandir   EDUCACAO   Bienal de Dança amplia intercâmbio de ideias com Unicamp, inspira alunos para festival e valoriza centro cultural
Universidade é a única estadual paulista que oferece graduação em dança e parceria permite benefícios a estudantes. Mostra segue até domingo (22); veja a programação. Público acompanha espetáculo ‘Banho’, no CIS-Guanabara
Juliana Hilal
A realização da 11ª Bienal Sesc de Dança, em Campinas (SP), fez a Unicamp mobilizar a comunidade acadêmica para ter acesso às novas tendências de arte, reforçar intercâmbio de ideias e ações, e ainda impulsionar uso do espaço de cultura CIS-Guanabara, onde atua como administradora. Além disso, a mostra serve de inspiração para alunos que organizam um festival tradicional para outubro.
Ela é a única universidade estadual paulista que mantém graduação em dança e o polo criado em 1985 é reconhecido pela instituição privada como fundamental para instalação da Bienal na cidade. Atualmente são 135 alunos matriculados na modalidade e há 25 vagas no vestibular 2020.
Ao acompanhar uma série de espetáculos e intervenções, o G1 constatou que alunos e professores são público fiel da mostra. A programação chega ao fim neste domingo e, ao longo dela, a Unicamp contabiliza sete obras delas sediadas no CIS-Guanabara – prédio histórico ligado à época das ferrovias, no Centro – e uma na Casa do Lago, que fica no campus do distrito de Barão Geraldo.
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Fernando Hashimoto, considera que a oferta de variedade de palcos contribui para a Unicamp e a Bienal. Por isso, a universidade oferece pessoal de apoio aos artistas na área de infraestrutura, incluindo detalhes técnicos das montagens e performances.
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Fernando Hashimoto
Juliana Hilal
“É de nosso interesse ter grupos e atualidades na cidade, tornar produções acessíveis à população. Nos interessa a geração do conhecimento que só ocorre quando se compartilha o que cada um está produzindo. E receber, por exemplo, um grupo da Coreia do Sul no seu quintal, seria impossível para o curso de dança se não fosse a força dessa Bienal e esse convênio”, destaca.
O espetáculo Dancing Grandmothers (Vovós Dançantes), da diretora coreana Eun-Me Ahn, marcou a abertura da mostra e foi apresentado pela primeira vez no Brasil, no galpão do Sesc.
Dancing Grandmothers abriu maratona da 11ª Bienal de Dança, em Campinas
Young-Mo Choe
Novos públicos e integração
Segundo Hashimoto, o uso de espaços universitários para a cultura permite atrair a população que está distante da instituição por equívocos ou falta de informações. “A distância entre a Unicamp [no distrito de Barão Geraldo] e Campinas existe, é real, não dá para ignorar. Em pesquisas que fizemos na periferia, muitas pessoas responderam que não iam à Unicamp pois achavam que tinham de pagar para entrar, ou que ela era uma universidade particular”, explica.
Um dos exemplos de intercâmbio na Bienal ocorreu na obra “Monumentos em Ação”, coordenado pela coreógrafa e artista visual argentina Lucía Nacht. Ela escolheu contar com artistas locais para planejar a apresentação e dez pessoas ligadas à universidade foram selecionadas após envio de carta de intenção ao Sesc, embora a candidatura tenha sido aberta ao público.
Visitantes assistiram ‘De Carne e concreto” na Casa do Lago, na Unicamp
Juliana Hilal
Para a estudante do curso de artes cênicas da Unicamp Júlia Vilar, de 21 anos, a Bienal serve de motivação aos universitários.
“Nessa profissão sabemos que são poucas as oportunidades, mas ver essas obras aqui nos prova que é possível circular e seguir com esse trabalho. Tem esse efeito”, valoriza.
Segundo ela, as temáticas diversas e com origens distintas ampliam a visão técnica de quem está ingressando na área. “É uma programação bastante extensa, que toca muitas pessoas. Importante pois ali não tem distanciamento, temos a chance de tentar dialogar com atores dessas produções.”
Festival universitário
O propósito de levar produções culturais a diversos pontos da cidade, uma das marcas da Bienal, também reflete entre os universitários que começaram a divulgar a 20ª edição do Festival do Instituto de Artes da Unicamp (Feia). Ele terá oito dias de programação gratuita, entre 6 e 13 de outubro, e o objetivo é ter a existência reafirmada para “reinventar o espaço da universidade” em meio à crise econômica e aos cortes de recursos. Um dos locais de apresentação será a casa Maloca, Arte e Cultura na Vila União, bairro periférico e distante da instituição.
“Temos consciência que estamos em um lugar privilegiado. É importante esse movimento de fora para dentro, trazendo gente para universidade, e daqui para fora, levando ações a áreas não acadêmicas”, diz a estudante Júlia, uma das coordenadoras, que atua na comunicação do evento.
A edição deste ano prevê 80 ações divididas entre oficinas, apresentações, espetáculos, exposições e debates. A lista pode ser conferida no site do evento.
CIS-Guanabara impulsionado
O espaço do CIS-Guanabara foi impulsionado nesta Bienal, ao receber duas apresentações internacionais e cinco nacionais. Um dos trunfos é a localização na área central do município.
O diretor, Marcelo Volpe, explica que a dança é um dos 20 eixos de atuação do espaço cultural que recebe não somente projetos prontos, mas também oferece produções culturais próprias e coproduções com artistas que buscam espaço ou mais recursos. “Temos esses eixos devido a uma visão que a cultura não é só ligada à arte e entretenimento, mas que tudo passa por ela. Então temos a dança, e outras áreas de interesse humano, como leitura e mobilidade, por exemplo.”
Segundo ele, o total de público registrado no CIS subiu de 25 mil em 2017 para 65 mil em 2018.
Veja página especial sobre a 11ª Bienal Sesc de Dança.

revisado e postado por Urandir Martinez
fonte: g1.globo.com