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   urandir   EDUCACAO   Erro na correção do Enem 2019: relembre histórico de problemas da prova, que inclui vazamentos e gabarito errado
Prova roubada, erros de impressão, vazamentos e ocupações de escolas marcaram a última década do exame, relembre. Provas do segundo dia do Enem 2019; MEC alega “inconsistência” nas correções
Ana Carolina Moreno/G1
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou neste domingo (19) que apura “possíveis inconsistências na correção” tanto do primeiro, quanto do segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019.
No sábado (18), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reconheceu que houve “inconsistências” na correção dos gabaritos da prova. Ele disse que a falha ocorreu na transmissão das informações – quem fez o exame de uma cor teve o gabarito corrigido como se fosse outra cor.
Participantes temem perder vagas nas universidades federais
MEC aponta ‘inconsistências’ na correção da segunda prova do Enem 2019
Inep apura ‘possíveis inconsistências’ também na correção do 1º dia
O ministro disse que o problema será resolvido na segunda-feira (20) e descartou que qualquer candidato possa ser prejudicado. O desempenho no Enem é critério para concorrer no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece 237 mil vagas em universidades federais em todo o país.
Além do erro nas correções, a edição de 2019 teve também o vazamento de uma das páginas da prova durante o dia do exame, em 3 de novembro. De acordo com o MEC, um aplicador de provas vazou a foto da folha de redação do Enem 2019 antes do final das provas.
O ministro da Educação disse que o fato não interferiu no exame. Segundo sua avaliação, não houve dano nenhum por conta do vazamento. Essa, entretanto, não foi a primeira vez que o exame virou alvo de polêmicas.
Em aplicações passadas a prova já foi roubada, teve problemas de impressão e até virou caso de polícia, relembre:
2009: prova roubada
Na estreia do novo formato do Enem, a prova foi cancelada na madrugada do dia 1º de outubro de 2009 pelo MEC, após a divulgação de que havia sido furtada de uma gráfica em São Paulo e oferecida a uma repórter do jornal “O Estado de S. Paulo.”
Imagem de câmera de segurança de gráfica em São Paulo flagrou furto de prova em 2009
TV Globo/Reprodução
O vazamento da prova obrigou o MEC a cancelar e remarcar o exame, que foi completamente refeito dois meses depois do prazo original para a aplicação. Parte das universidades que usariam o resultado nos processos seletivos desistiram de contar com a nota e os envolvidos no vazamento foram indiciados.
Devido aos problemas, a abstenção na prova chegou a 1,5 milhão de pessoas. Além disso, o Enem 2009 teve anulação de questões e a divulgação de um gabarito errado.
2010: erros de impressão
O segundo ano da prova em novo formato também apresentou problemas em sua realização, em 2010, o exame teve problemas na impressão do material. Naquele ano, o caderno amarelo com as provas de ciências humanas e ciências da natureza apresentou perguntas repetidas, fora da sequência e até algumas questões de um outro modelo aplicado, a prova branca.
Enem
Reprodução/ TV Globo
Na folha de respostas, os cabeçalhos que indicaram as áreas de conhecimento estavam invertidos, na comparação com o caderno de questões. Na ocasião, o MEC informou que a orientação era seguir a ordem numérica das questões, mas alguns alunos afirmam que não receberam a recomendação e, por isso, preencheram o gabarito de forma invertida.
O Inep convidou 9.500 estudantes para fazer a nova prova, mas a maioria faltou, com uma abstenção superior aos 50%. Para resolver a questão dos gabaritos, o MEC abriu espaço para que os estudantes solicitassem a correção de forma invertida.
2011: questões repetidas
Dias depois a aplicação do Enem 2011, alunos do colégio Christus, de Fortaleza, confirmaram ter recebido um material em que continha questões idênticas ou parecidas com as que haviam caído no Enem. A escola havia recebido um dos pré-testes do Inep para testar e calibrar as questões, e um professor havia furtado questões e as inserido no banco de itens do colégio.
Em 2011, questões de apostila do Colégio Christus, de Fortaleza, foram parar na prova do Enem, depois de serem furtadas de um pré-teste realizado pelo Inep na escola
Reprodução
Ele acabou sendo inocentado na Justiça Federal, em decisão de segunda instância, e 639 alunos do Christus tiveram o Enem anulado e refizeram a prova um mês depois, na edição do Enem para pessoas privadas de liberdade.
2012: hino do Palmeiras e miojo
O Enem 2012 foi o primeiro no qual o Inep divulgou, após as notas, o espelho da prova de redação, ou seja, uma reprodução digitalizada da redação produzida pelos participantes. Por isso, foi a primeira vez em que os candidatos puderam comprovar a inserção de trechos que fugiam ao tema proposto.
Trecho da redação do Enem de candidato que incluiu hino do Palmeiras ao falar sobre imigração
Reprodução
Foi o caso de um estudante que incluiu parte do hino oficial da Sociedade Esportiva Palmeiras e de outro, que escreveu uma receita de miojo no meio da introdução e conclusão da redação. Ambos tiraram nota baixa por causa da fuga ao tema, mas, até então, o edital do Enem não previa nota zero para redações com deboche. A partir desse ano, a regra mudou.
2014: vazamento da prova de redação
Em 2014, uma foto da página da prova do segundo dia do Enem, que continha o tema e os textos de apoio da redação, vazou pelo WhatsApp pelo menos uma hora e 13 minutos antes do início do exame. Naquele ano, o tema foi “Publicidade infantil no Brasil”.
Polícia Federal investiga suposto vazamento na prova de redação do Enem – GNews
Reprodução/GloboNews
Um estudante do Piauí foi o primeiro a denunciar o vazamento, pelas redes sociais e depois oficialmente à Polícia Federal. Depois, estudantes do Ceará também confirmaram terem visto o tema pouco antes de o Enem começar.
A PF confirmou a veracidade da foto, mas, em fevereiro do ano seguinte, o Ministério Público Federal do Ceará arquivou o caso, por entender que não foi comprovada má-fé e que nenhuma das pessoas que receberam a prova tiveram como usar a informação em seu benefício, ferindo a isonomia do exame.
2015: boatos mobilizam a PF
No ano seguinte ao vazamento do tema da redação, diversos boatos sobre novo vazamento de provas circularam pelas redes sociais uma semana antes do Enem 2015. O Inep negou todos os boatos e acionou a Polícia Federal para investigar de onde teriam partido as informações.
À esquerda, foto da prova falsa que circulou nas redes sociais em 2015. À direita, página com tema da redação do Enem 2016 – ambas tratam de intolerância religiosa.
Reprodução
Uma foto de dois supostos cadernos de prova do Enem 2015, e duas supostas propostas diferentes de temas da prova de redação tumultuaram a preparação dos estudantes. Um ano depois, uma dessas propostas era semelhante e continha o mesmo gráfico que o tema que efetivamente apareceu no Enem 2016: a redação foi sobre “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”.
2016: caso de polícia e ocupações
Em 2016, a Polícia Federal prendeu duas pessoas flagradas com materiais de apoio para produzir uma redação sobre o tema cobrado no Enem daquele ano. Um dos candidatos, preso em Fortaleza, já tinha acesso ao gabarito e ao tema da redação por volta das 11h e 11h30 do dia da prova (12h e 12h30 no horário de Brasília).
Em Macapá, um homem de 31 anos foi preso logo depois de deixar o local de prova. Foi encontrado com ele um texto com o assunto “intolerância religiosa”, mesmo tema da redação aplicada naquele ano.
Candidato estava com texto sobre o tema da redação do Enem
Divulgação/Polícia Federal
Ainda em 2016, o Inep precisou anunciar uma terceira edição do Enem para que 271.033 candidatos afetados por locais de prova com ocupações estudantis pudessem realizar o exame.
Todos os anos, o Inep faz a reaplicação do exame para estudantes que, devido a algum imprevisto, foram impedidos de fazer as provas. Em geral, eles as realizam na mesma data do Enem para pessoas privadas de liberdade (Enem PPL), mas como o número de alunos afetados em 2016 foi muito grande, a prova foi reaplicada em outra data.
2017: prova nas redes sociais
Duas pessoas inscritas na edição 2017 do Enem saíram do local de provas com o caderno de questões antes do horário permitido. O Inep sustentou que nenhum dos dois casos configurou vazamento da prova.
Um dos casos aconteceu em um local de provas em Goiás. De acordo com o instituto aplicador da prova, o candidato foi retirado da sala de aula depois de um “surto” relacionado a uma das questões da prova. “No momento que foi informado que seria eliminado fugiu com a prova e com o cartão resposta”, disse a autarquia em nota.
2019: gráfica sem licitação
Após a falência da RR Donnelley, que imprimiria o Enem 2019, o Inep foi dispensado de abrir uma nova licitação para selecionar a gráfica para o serviço. A empresa substituta foi a Valid Soluções S.A., pelo valor global de R$ 151,7 milhões.
A gráfica foi responsável pela diagramação, manuseio, embalagem, impressão, rotulagem e entrega dos cadernos de provas para os Correios. As etapas ocorrem em condições especiais de segurança e em sigilo.
A empresa já tinha sido escolhida em 2019 para imprimir as provas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Este grupo de provas é objeto do contrato nº 05/2019, pelo qual o Inep vai desembolsar R$ 143,1 milhões.
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revisado e postado por Urandir Martinez
fonte: g1.globo.com