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Valorização do professor e política de longo prazo são essenciais para reverterem os resultados do Brasil no Pisa 2018, dizem especialistas   The New Yooker Times c839 pisa 2018 proficiencia brasileiros   urandir   EDUCACAO   Valorização do professor e política de longo prazo são essenciais para reverterem os resultados do Brasil no Pisa 2018, dizem especialistas
Avaliação internacional de estudantes aponta que o desempenho dos estudantes do país não avançou e país esteve entre os piores em matemática, especialistas apontam profissionalização de docentes como chave para sucesso educacional em países mais desenvolvidos. O Brasil não conseguiu registrar avanços significativos no desempenho dos estudantes em leitura, matemática e ciências no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês). A edição de 2018 do relatório foi divulgada na manhã desta terça-feira (3).
O Pisa é uma avaliação mundial feita em dezenas de países, com provas que atestam o nível de compreensão dos estudantes com idades de 15 anos. Além dos testes de leitura, matemática e ciência, são também aplicados questionários a estudantes, professores, diretores e escolas e pais. O Brasil participa desde os anos 2000 e, na análise histórica, tem apresentado pouca evolução no desempenho.
Brasil cai em ranking mundial de educação em matemática e ciências
Há dez anos, nível básico de leitura e compreensão de textos não avança no Brasil
Especialistas ouvidos pelo G1 destacaram a valorização de professores como forma de melhorar o resultado brasileiro. Eles também afirmam que é necessário investir em políticas públicas de longo prazo.
Confira quem são os especialistas:
Rosalina Soares, assessora de pesquisa e avaliação da Fundação Roberto Marinho
Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do Todos Pela Educação
Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna
Ana Lúcia Lima, fundadora da Conhecimento Social e organizadora do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf)
Os resultados do Brasil no Pisa 2018 mostram que a maioria dos estudantes continua no nível abaixo do considerado básico em leitura, matemática e ciências
Juliane Monteiro e Aparecido Gonçalves/G1
Rosalina Soares, assessora de pesquisa e avaliação da Fundação Roberto Marinho, destaca que, mesmo em crise, é importante que o país invista em educação.
“Em momento de crise, o melhor investimento é em educação. Isso não vai resolver todos os problemas, mas sem ela, não vamos sair de onde nos encontramos”, afirma. “Devemos investir em alfabetização na idade certa, para que a trajetória escolar seja bem sucedida, investir em creches. O custo total por aluno, por município, ainda é muito baixo” – Rosalina Soares, da Fundação Roberto Marinho
Para o diretor de políticas educacionais do Todos Pela Educação, Olavo Nogueira Filho, a estagnação vem desde 2009 e está em “um patamar muito baixo”. Segundo ele, ficar estagnado não é em si um problema e outros países passaram por isso, mas ele considera que o Brasil “bateu no teto muito cedo”.
“O que nos diferencia dos países com alto desempenho [no Pisa] é que não colocamos ainda a profissão docente e políticas para estes profissionais como ponto central” – Olavo Nogueira Filho, do Todos pela Educação
Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, destaca a falta de continuidade nas políticas públicas brasileiras. Ele cita casos como o do estado do Ceará, que está avançando nos índices de educação investindo na alfabetização de crianças, e da Paraíba, que está focando em escolas de tempo integral.
“O Brasil vem ampliando o investimento desde 2015, principalmente nos exames finais e no ensino médio, mas a descontinuidade tem atrapalhado o país. O Brasil tem experiências fabulosas no campo da educação, mas está restrito a alguns territórios e estados. Isso deveria ser ampliado” – Mozart Neves Ramos, do Instituto Ayrton Senna
Já Ana Lúcia Lima, fundadora da Conhecimento Social e organizadora do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), destaca que o domínio da leitura poderia garantir aos jovens a redução da desigualdade social.
Os novos dados do Pisa trazem, mais uma vez, um importante alerta: o crescente avanço na escolaridade de nossas crianças, adolescentes e jovens não tem sido suficiente para assegurar o domínio de habilidades de leitura que permitam seu desenvolvimento individual e a construção de uma sociedade menos desigual e mais preparada para os complexos desafios dos nossos tempos”, afirma.
“Mais do que comparar os resultados do Brasil com o de outros países em rankings de duvidosa utilidade, é preciso pensar que nossos meninos e meninas que participam do Pisa hoje aos 15 anos terão trajetórias de vida menos potentes do que aquelas asseguradas aos cidadãos dos países que nos superam. Até quando vamos conviver com essa realidade sem assumir, como sociedade, a responsabilidade por virar esse jogo?” – Ana Lúcia Lima, organizadora do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf)
Como é feito o Pisa?
O Pisa é uma avaliação mundial feita em dezenas de países, com provas de leitura, matemática e ciência, além de educação financeira e um questionário com estudantes, professores, diretores e escolas e pais;
O resultado é divulgado a cada três anos – a edição mais recente foi aplicada em 2018 com uma amostra de 600 mil estudantes de 15 anos de 80 países diferentes. Juntos, eles representam cerca de 32 milhões de pessoas nessa idade;
No Brasil, 10.691 alunos de 638 escolas fizeram a prova em 2018. São 2.036.861 de estudantes, o que representa 65% da população brasileira que tinha 15 anos na data do exame;
O mínimo de escolas exigidas pela OCDE é 150;
A prova é aplicada em um único dia, é feita em computadores, e tem duas horas de duração. As questões são objetivas e discursivas;
A cada edição, uma das três disciplinas principais é o foco da avaliação – na edição de 2018, o foco é na leitura;
O Brasil participou de todas as edições do Pisa desde sua criação, em 2000, mas continua muito abaixo da pontuação de países desenvolvidos e da média de países da OCDE, considerada uma referência na qualidade de educação.
Entenda o que é o Pisa, a avaliação mundial de educação
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revisado e postado por Urandir Martinez
fonte: g1.globo.com