Notícias Internacionais – The New Yooker Times


As cicatrizes ainda visíveis do 1º teste submarino de bomba atômica, 73 anos depois   The New Yooker Times 7df9 cogumelo atomico   urandir   MUNDO   As cicatrizes ainda visíveis do 1º teste submarino de bomba atômica, 73 anos depois
Setenta e três anos após a primeira explosão nuclear subaquática, os cientistas retornam para mapear o local. A explosão do teste Baker
COMANDO DE HISTÓRIA E PATRIMÔNIO NAVAL via BBC
A data era 25 de julho de 1946. A localização, o Atol de Bikini. O evento, a quinta explosão da bomba atômica e a primeira detonação na água.
As fotos que todos nós vimos: uma nuvem gigante de cogumelo saindo do Pacífico, varrendo navios que foram deliberadamente deixados ali para mostrar do que a guerra nuclear era capaz.
FOTO: Explosão nuclear no Atol de Bikini em 1946
Agora, 73 anos depois, os cientistas voltaram a mapear o fundo do mar.
Uma cratera ainda está presente; também os restos retorcidos de todas essas embarcações.
“Bikini foi escolhido devido à sua distância e à sua grande lagoa de fácil acesso”, explica o líder da equipe de pesquisa, Art Trembanis, da Universidade de Delaware.
“Na época, (o famoso comediante americano) Bob Hope brincou: ‘assim que a guerra terminou, encontramos o único local na Terra que não havia sido tocado pela guerra e o explodimos’.”
Um mapa de profundidade do lugar; é possível ver navios de guerra afundados no fundo do mar ao redor da cratera
CSHEL UNIVERSITY OF DELAWARE via BBC
Dois testes americanos, Able e Baker, foram conduzidos no atol, no que ficou conhecido como Operação Crossroads. O dispositivo Baker era uma bomba de 21 quilotons e foi colocado 27m abaixo da superfície do Pacífico.
A explosão arremessou dois milhões de toneladas de água, areia e coral pulverizado pelos ares.
Depressão bem definida
Apesar da extraordinária liberação de energia, o Dr. Trembanis pensou que grande parte do fundo do mar já estaria coberta de sedimentos.
Mas sua equipe interdisciplinar de oceanógrafos, geólogos, arqueólogos e engenheiros marinhos encontrou uma depressão bem definida.
Usando sonar, eles mapearam uma estrutura de 800m de diâmetro por cerca de 10m de relevo.
A parte traseira do USS Saratoga está em estágio de colapso
ARTHUR TREMBANIS via BBC
“Parece que o Capitão Marvel deu um soco no planeta e fez um estrago nele”, disse Trembanis a repórteres na reunião da União Geofísica Americana, onde ele está apresentando as investigações da equipe.
“Queríamos puxar a cortina e poder realmente revelar essa cena”, disse ele à BBC News.
“Só no final dos anos 80, início dos anos 90, os mergulhadores puderam entrar na área. E naquela época, eles só podiam dar uma olhada limitada em alguns destroços. Mas nós usamos tecnologia avançada de sonar; pudemos retratar a cena inteira. É um pouco como visitar o Grand Canyon com uma lanterna, em vez de passar no meio do dia e iluminar toda a área.”
“Pudemos começar a ver a posição dos navios, ver como eles estavam alinhados um com o outro e pudemos ver que essa cratera ainda permanece — a natureza ainda está nos mostrando essa ferida que recebeu da bomba.”
CSHEL UNIVERSITY OF DELAWARE via BBC
Um mergulhador examina uma parte do USS Saratoga
A cratera tem uma estrutura ondulada que parece um pouco com pétalas de rosa. É uma evidência de todo o material lançado inicialmente no céu, que caiu de novo por meio da coluna d’água, se espalhando pelo fundo do mar.
Parte da motivação para a pesquisa foi entender melhor os impactos ambientais. Embora os níveis de radiação sejam muito reduzidos, há um problema contínuo de poluição vinda dos navios.
Esses navios — unidades antigas das marinhas americana, japonesa e alemã — não estavam preparados para se tornarem recifes artificiais. Se essa fosse a intenção, eles teriam sido esvaziados.
Mas a ideia era que eles fossem deixados em posição como se estivessem operacionais. Isso significava que estavam abastecidos e até tinham munições a bordo.
“Enquanto estávamos fazendo o mapa, eu soube sem olhar quando estávamos perto do Saratoga (porta-aviões dos EUA), porque sentíamos o cheiro do combustível”, diz Trembanis.
“O Nagato — que era a nau capitânia japonesa em que (o almirante Isoroku) Yamamoto usou para planejar o ataque a Pearl Harbor — tinha uma faixa de combustível saindo dele por muitos quilômetros.”
À medida que os navios continuam a se desintegrar na água, essa poluição pode se tornar um problema muito maior, disse Trembanis.

The New Yooker Times – Notícias Internacionais
fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez