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Austrália vai às urnas em eleições de resultado incerto   The New Yooker Times c41f 000 1gg86i   urandir   MUNDO   Austrália vai às urnas em eleições de resultado incerto
Vantagem dos oposicionistas para o atual governo diminuiu após críticas ao plano econômico – o país registra aumento ininterrupto do PIB há quase 30 anos. Campanha eleitoral na Austrália
William West/AFP
As urnas das eleições gerais na Austrália abriram às 19h desta sexta-feira – já 8h da manhã de sábado (19) na capital Canberra. Os australianos decidem a nova composição do Parlamento, e há possibilidade de mudança no comando do governo local.
Na briga pelo governo, estão em disputa os 151 assentos da Câmara Baixa do Parlamento. Para conquistar a maioria, quem vencer precisará obter 76 cadeiras.
Quem vai levar?
Ainda está indefinido. O Partido Trabalhista, liderado por Bill Shorten, leva pequena vantagem segundo as pesquisas de opinião. Se levar mais cadeiras do Congresso, os atuais opositores desbancam o governo do primeiro-ministro Scott Morrison, formado por coalizão liberal e conservadora.
No entanto, a campanha governista atacou sistematicamente o programa econômico da oposição, o que reduziu a vantagem de Shorten. Uma das razões é a forte economia local, que registra crescimento ininterrupto há quase 30 anos – apesar de recente desaceleração.
Os bons números da economia australiana mascaram as recentes dificuldades políticas. Desde 2007, nenhum primeiro-ministro conseguiu completar um mandato. Em 2010, Julia Gillard desbancou o então primeiro-ministro, Kevin Rudd, por conflitos internos no Partido Trabalhista que três anos depois serviram para Rudd devolver na mesma moeda e tirá-la do cargo.
Após ganhar as eleições em 2013, o liberal Tony Abbott também passou pelas turbulências das intrigas dentro da legenda. Em 2015, ele perdeu a liderança do partido para Malcolm Turnbull, que três anos depois renunciou devido a uma crise no governo e foi substituído por Scott Morrison em agosto de 2018.
Assim, há a chance do crescimento de pequenas siglas, que podem definir a composição final do Parlamento, como os ambientalistas e os ultranacionalistas.
Existe, inclusive, uma possibilidade de o nacionalista Clive Palmer conquistar uma vaga no Senado com um slogan muito semelhante ao da campanha de Donald Trump nos Estados Unidos: “Make Australia great”.
Que temas estão em debate?
Além da conturbada política local, os temas mais discutidos na Austrália têm sido os seguintes:
Mudanças climáticas e política energética
Protesto em 1º de Maio na Austrália contra construção de mina de carvão
Peter Parks/AFP
A mudança climática e a política energética têm sido um calcanhar de Aquiles tanto dos governos do Partido Trabalhista como da coalizão Liberal-Nacional há mais de uma década, de acordo com a agência EFE.
De um lado, os governos trabalhistas receberam críticas por criarem um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono, o que irritou o eleitorado.
De outro, ambientalistas criticam a coalizão conservadora por favorecer o uso do carvão para geração de energia e argumentar que as energias renováveis aumentam o preço das tarifas de eletricidade.
Manutenção da estabilidade econômica
Fogos de artifício marcam a chegada do Ano Novo em Sydney, na Austrália
Brendan Esposito/AAP via AP
A Austrália registra quase 30 anos de crescimento econômico ininterrupto e prevê leve melhora do PIB, que, no ano passado, cresceu 2,3%. Entretanto, há sinais de desaceleração que preocupam o eleitorado.
Embora o desemprego se mantenha estável em 5%, os trabalhadores enfrentam estagnação do aumento salarial e alto custo de vida. O preço da moradia, principalmente, preocupa os australianos, o que dificulta o aluguel para pessoas de baixa renda e a compra para famílias de classe média.
Imigração
Trabalhadores voltam para suas casas após dia de trabalho em Sydney, na Austrália
Saeed Khan/AFP
A chegada de estrangeiros, sobretudo nas cidades de Sydney e Melbourne, e a pressão sobre as infraestruturas levou o governo a reduzir a cota anual de imigrantes permanentes de 190 mil para 160 mil. Além disso, o país passou a adotar medidas para promover a migração a cidades do interior e de zonas rurais.
As políticas de imigração, marcadas pelo envio de solicitantes de asilo a centros de detenção em Nauru e Papua Nova Guiné, no Oceano Pacífico, tiveram um ponto de inflexão após as reivindicações de médicos, políticos e parte da população para melhorar o tratamento dos imigrantes. A pressão resultou em uma lei para facilitar as transferências por razões médicas à Austrália.
Mesmo assim, a coalizão governista defende o controle de fronteiras para evitar também a entrada de possíveis terroristas. O governo, porém, suavizou o discurso após o ataque supremacista ocorrido na Nova Zelândia em março, cometido por um australiano que matou 51 pessoas.
Relações com China e EUA
Emabixada chinesa em Canberra
Reuters/Tim Wimborne
As eleições também definirão o futuro do relacionamento com a China. Por um lado, o gigante asiático é o principal parceiro comercial da Austrália – os australianos representam a principal fonte de recursos naturais do gigante asiático.
Porém, Austrália e China têm relação tensa devido a recentes leis contra a interferência chinesa na política interna australiana. Isso depois de suspeitas sobre atividades de espionagem e ataques hacker recaírem sobre os chineses.
Também são motivos de preocupação para a Austrália os investimentos chineses no país, a militarização do mar da China Meridional e a prisão de ativistas em território chinês.
Seja qual for o resultado, a Austrália deve se manter como um aliado histórico dos Estados Unidos. Ambos os países têm longa e sólida parceria militar, de segurança e inteligência. As forças australianas, inclusive, participam de operações no Oriente Médio.
Além disso, a Austrália reconheceu Jerusalém Ocidental como capital de Israel no fim do ano passado – movimento semelhante ao adotado por Donald Trump. A diferença é que o governo australiano não pretende transferir a embaixada local, que continua em Tel Aviv.
Veja o que está em jogo nas eleições da Austrália
Raio-X: Austrália
Igor Estrella/G1

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez