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Bolsonaro bebe na fonte de Trump   The New Yooker Times 937f 2017 05 24t101928z 249492674 rc1c01aee390 rtrmadp 3 usa trump italy   urandir   MUNDO   Bolsonaro bebe na fonte de Trump
Como conselheiros de presidente, a filha Ivanka e o genro Jared Kushner são criticados por influência e protagonismo em assuntos de Estado. Ivanka Trump durante visita a Roma em 2017
REUTERS/Yara Nardi
O presidente Jair Bolsonaro citou a amizade de seu filho Eduardo com os filhos de Donald Trump como um dos atributos para justificar sua intenção de indicá-lo ao posto de embaixador em Washington. Assim, Bolsonaro parece ter bebido na fonte do atual presidente americano, que permite e estimula a influência da chamada primeira-família dos EUA em assuntos de Estado, como uma extensão dinástica do poder que lhe foi concedido pelo voto.
Faltam à Ivanka Trump a experiência diplomática e o traquejo político, mas, como conselheira sênior do pai, ela pode circular e palpitar livremente em qualquer reunião. Há ocasiões em que seu papel se sobrepõe inclusive ao do secretário de Estado, Mike Pompeo.
Após o G-20, em Osaka, ela integrou a pequena comitiva que participou da reunião com o ditador Kim Jong-un, pela primeira vez em solo norte-coreano. Encontrou apenas uma palavra –“surreal”– para descrever o histórico evento.
Ivanka foi ridicularizada em vídeo vazado pela Presidência francesa durante o G-20, tentando se meter numa conversa de gente grande, com Emmanuel Macron, Theresa May, Justin Trudeau e Christine Lagarde. A performance embaraçosa viralizou na hashtag #unwantedivanka, que mostrava imagens da primeira- filha em imagens históricas.
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É ilusão achar que a chacota internacional pode interromper os planos de Trump para Ivanka. Ele a vê como embaixadora dos EUA na ONU ou até, quem sabe, como uma imbatível candidata presidencial.
O genro Jared Kushner também foi alçado a conselheiro sênior do presidente. Não menos influente do que a mulher, coube a ele apresentar o plano de paz dos EUA para o Oriente Médio, rejeitado por países árabes e boicotado por autoridades palestinas.
Da supervisão das negociações de paz à modernização do governo federal, a área de atuação do genro de presidente é bastante ampla. A aprovação da lei de reforma da justiça criminal, em dezembro passado, foi descrita como uma vitória pessoal de Kushner. Por outro lado, mantém uma relação próxima do ditador Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, implicado pessoalmente no brutal assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime.
Como funcionários de alto escalão da Casa Branca, filha e genro do presidente não estão na folha de pagamento. Assim, escapam da lei antinepotismo que vigora desde 1967. Mas, por outro lado, a fortuna pessoal de Ivanka e Jared pode perfeitamente justificar a dispensa de salários, sobretudo se tiverem como objetivo um projeto político futuro.
Elaborada para evitar casos como o de Bobby Kennedy, nomeado procurador-geral pelo irmão e presidente, John Kennedy, a lei antinepotismo estipula que um funcionário público não pode nomear ou empregar parentes para posições na agência em que serve ou sobre a qual exerce jurisdição. Analistas e juristas apontam outra brecha na lei, que favorece Trump: a Casa Branca não pode ser considerada uma agência.
O casal manobrou para afastar quem tentou minimizar sua influência –o ex-chefe de Gabinete John Kelly ou o ex-secretário de Estado Rex Tillerson, claramente atropelados em seus papéis por Ivanka e Jared. O protagonismo que é conferido por Trump a ambos tem também o poder de reduzir ao amadorismo a abordagem diplomática da maior potência mundial.
Como resumiu o ex-embaixador Christopher R. Hill ao “Washington Post”, passa também a mensagem aos aliados de que os EUA vivem uma espécie de monarquia constitucional: as únicas pessoas que importam são Trump e seus parentes. Qualquer semelhança com o Brasil, portanto, não é mera coincidência.

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez