Notícias Internacionais – The New Yooker Times


Premiê britânico deixou claro que data segue a mesma e governo promete apresentar novamente seu acordo no início da semana. Boris Johnson foi novamente humilhado ao tentar emplacar no Parlamento britânico um acordo sobre o Brexit obtido às pressas esta semana com a União Europeia. Por uma maioria de 16 votos, a Casa aprovou uma emenda que, justamente, dá mais tempo aos deputados para debater o novo pacto.
Uma vez adiada a votação, isso obrigaria o primeiro-ministro a escrever, até meia-noite, uma carta à UE propondo a extensão do prazo de saída para o dia 31 de janeiro. Se não enviá-la, ele arrisca-se a enfrentar nova ação na Justiça.
Mas Johnson contra-atacou com um novo desafio ao Parlamento, reunido pela primeira vez num sábado desde a Guerra das Malvinas: deixou claro que não negociará a prorrogação do prazo para a retirada do país da UE, marcado para o próximo dia 31, o tradicional Dia das Bruxas. O governo promete apresentar novamente seu acordo, no início da semana, ao Parlamento.
O golpe certeiro aos planos do premiê partiu de um ex-correligionário conservador, Oliver Letwin, que ele expulsou do partido, no mês passado, juntamente com outros 20 por terem se rebelado contra outra de suas manobras.
A emenda apresentada pelo independente Letwin e aprovada neste Super Sábado impediu a votação do pacto firmado entre Johnson e o Conselho Europeu.
Os próximos capítulos dessa novela que se arrasta há três anos são incertos. Afundam ainda mais o divórcio entre Reino Unido e UE num atoleiro, onde as partes não são mais capazes de encontrar o caminho para voltar à tona — seja o Brexit com ou sem acordo, seja um segundo referendo. Também duvidoso é o destino do premiê.
Prevaleceu no Parlamento a tese de que o acordo de Johnson era pior do que o apresentado pela antecessora Theresa May e derrotado três vezes. Num discurso contundente, a ex-premiê disse ao plenário ter a sensação de déjà vu e demonstrou apoiar a proposta de Johnson, apesar de, no passado bem recente, ele ter atuado como um de seus principais detratores.
Entre um acordo e outro, a Irlanda do Norte ainda permanece como entrave para o Brexit. Se antes havia o temor do retorno de uma barreira física, agora ficou acertado que, em termos alfandegários, a fronteira seria entre o Reino Unido e a Ilha da Irlanda. Em outras palavras, o controle aduaneiro passaria aos portos da Irlanda do Norte.
Os dez deputados unionistas da Irlanda do Norte, porém, não embarcaram na proposta do premiê britânico e votaram com a oposição. Os trabalhistas, liderados por Corbyn, também desconfiam do novo acordo por considerarem que ameaça o Serviço Nacional de Saúde.
A expressão da divisão dos britânicos sobre o Brexit se manifestava também do lado de fora do Parlamento, quando milhares de pessoas marcharam em favor de um novo referendo. Obrigaram deputados conservadores a deixarem o Palácio de Westminster sob escolta policial. O processo de saída do Reino Unido do bloco europeu permanece no mesmo lugar de sempre — o limbo.

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez