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Como os tremores de Merkel abalam os alemães?   The New Yooker Times 21f4 2019 07 17t104027z 584093256 rc1693799520 rtrmadp 3 germany politics   urandir   MUNDO   Como os tremores de Merkel abalam os alemães?
Sob pressão, chanceler completa 65 anos, mas mantém sigilo sobre estado de saúde. Angela Merkel fez 65 nesta quarta-feira (17) e ganhou flores
Fabrizio Bensch/Reuters
Pela segunda vez em uma semana, Angela Merkel optou por ouvir o hino nacional sentada, evitando, assim, que o público testemunhasse novamente a sucessão de tremores involuntários que vem acometendo a chanceler alemã. O governo se esforça para dar um tom de normalidade à agenda de Merkel, que faz 65 anos nesta quarta-feira (17), mantendo em sigilo a causa dos tremores.
Mas a estratégia se mostra improdutiva, e a teia de especulações sobre o futuro da chanceler e do país já está tecida. Quando Merkel treme, o mundo treme, relata com propriedade a imprensa alemã sobre a mulher mais poderosa do mundo e há 14 anos à frente da nação mais rica da Europa.
A saúde de um governante é segredo de Estado no país e diz respeito à sua privacidade, tese apoiada por 60% dos alemães entrevistados recentemente em pesquisa. Isso funcionou no passado. Agora, não é garantia de tranquilidade.
Só muito tempo depois, o país teve conhecimento de que o chanceler Willy Brandt, por exemplo, sofria de depressão, e seu sucessor Helmut Schmidt desmaiou cem vezes durante os oito anos em que comandou o país. Problemas de próstata que afetaram Helmut Kohl às vésperas da derrubada do Muro de Berlim, em 1989, não vieram à tona.
No século XXI, porém, as imagens angustiantes que mostram Merkel se esforçando para controlar os tremores propagam-se com a velocidade das redes sociais. E o silêncio faz também disparar teorias da conspiração, num processo semelhante ao que ocorreu quando Fidel Castro e Hugo Chávez adoeceram.
Merkel assegura que está bem, evoca a privacidade, alegando que desempenha normalmente suas funções. Participou de exaustivas reuniões do G-20, no Japão, e sequer desmarcou compromissos.
Mas enfrenta pressões para não transparecer sinais de fraqueza. Em outubro passado, ela anunciou que não concorreria à reeleição. Com seu aval, a União Democrata Cristã elegeu outra mulher para sucedê-la na liderança do partido.
Annegret Kramp-Karrenbauer durante congresso da CDU no fim de 2018 em Hamburgo, na Alemanha
Fabian Bimmer/Reuters
Conhecida por AKK, Annegret Kramp-Karrenbauer é criticada pela falta de experiência em cargos no governo e por também cometer gafes que vêm minando seu prestígio e popularidade. Talvez sejam as razões que fizeram a chanceler dar um empurrão na carreira da nova líder da CDU, promovendo-a a ministra da Defesa, no lugar de Ursula von der Leyen, eleita na terça-feira presidente da Comissão Europeia.
Sem informações sobre o que ocorre com Merkel, a mídia e políticos alemães levantam dúvidas se ela conseguirá concluir o quarto mandato, em 2021. Por enquanto, a maioria da população respalda o argumento de que a saúde da chanceler pertence à esfera privada.
Cada aparição pública, entretanto, causa expectativa e tensão em torno de uma nova crise. A transparência só ajudaria a fortalecer a chanceler e tranquilizar o país.

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez