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Em Moçambique, termina votação que pode ser um teste para acordo de paz   The New Yooker Times 91fa eleicoes mocambique   urandir   MUNDO   Em Moçambique, termina votação que pode ser um teste para acordo de paz
Oposição afirma que poderá questionar resultados se considerar que houve manipulação das urnas. Imagem de eleitores em Maputo, Moçambique, no dia 15 de outubro de 2019
Grant Lee Neuenburg/Reuters
Os moçambicanos votaram nesta terça-feira (15) em eleições que, segundo o presidente, devem ajudar no processo de paz, ao mesmo tempo em que o principal rival alertou para o risco de manipulação dos resultados.
Moçambique realiza eleições gerais com Frelimo, partido há 40 anos no poder, enfraquecido
A votação para presidente, parlamento e estados vai testar o acordo de paz firmado há dois meses entre o Frelimo, que está no poder, e seu antigo inimigo da guerra civil, o Renamo, que se tornou um partido.
Há a expectativa que o Frelimo siga no governo, prolongando sua gestão de décadas no país africano, que deve se tornar um dos maiores exportadores de gás do mundo.
O opositor Renamo, no entanto, espera se beneficiar de mudanças eleitorais que foram pactuadas no acordo de paz.
Resultado e consequência para o acordo de paz
O antigo movimento rebelde pretende conquistar o controle de áreas no centro e norte do país pela primeira vez desde que a guerra civil terminou em uma trégua, em 1992.
Mapa de Moçambique com a localização da capital, Maputo
Mundo/G1
Um fracasso pode implicar inquietação e incentivar a oposição a deixar de seguir os termos do acordo, de acordo com analistas.
“Moçambique escolheu a paz”, disse o presidente Filipe Nyusi, depois de votar em uma escola na capital, Maputo. Ele elogiou os moçambicanos por decidirem seu destino em eleições e pediu para que a paz e a calma prossigam.
Carlos Alberto, um estudante de 22 anos que foi votar disse que espera que o Parlamento supervisione o executivo e pressione por reformas em áreas como educação, mercado de trabalho e habitação.
“Nós votamos, e nada acontece”, ele disse.
Partido único
Moçambique só teve governos de um único partido desde que se tornou independente de Portugal, em 1975.
A maioria das 13 milhões de pessoas registradas para votar nasceram depois da independência.
Um escândalo de corrupção que envolve empréstimos por parte do governo que prejudicou a economia e a popularidade de Nyusi, o atual presidente que tenta a reeleição.
Houve uma pequena insurgência islâmica no sul do país, perto das instalações de gás que são construídas por empresas como Exxon e Total.
Isso também atingiu a reputação do governo e é uma ameaça a longo prazo.
Trégua frágil
“Se o voto for manipulado, nós nunca vamos aceitar”, disse o candidato do Renamo,
Ossufo Momade, logo depois de votar no norte do país.
“Nós precisamos fazer o que pudersmo, se o povo assim quiser”, sem elaborar.
Para analistas, há menos chance de Momade adotar métodos violentos que o seu antecessor no Renamo, mas ele tem menos controle do partido e dos apoiadores.
O Renamo lutou contra o Frelimo por 16 anos, entre 1977 e 1992, em um conflito que matou cerca de um milhão de pessoas.
A disputa acabou com uma trégua, mas esporadicamente há focos de violência.
Em 2014, o Renamo questionou os resultados das eleições e houve conflitos.
Pelo acordo de paz assinado em agosto deste ano, os governadores vão ser escolhidos pelo partido mais votado em cada província, e não mais pelo presidente –é uma oportunidade para o Renamo ganhar representação.
A votação acabou às 18h de Moçambique (13h de Brasília).

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez