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País enfrenta uma onda de protestos violentos desde a semana passada contra a alta dos preços dos combustíveis. Internet bloqueada e ‘mais de 100 mortos’: o que está acontecendo no Irã?
Reprodução/BBC
O Irã enfrenta uma onda de protestos violentos desde a semana passada contra a alta dos preços dos combustíveis, que teria deixado mais de 100 mortos até agora.
O país de 80 milhões de habitantes também está praticamente sem acesso à internet, após um bloqueio imposto pelo governo, o que dificulta a obtenção de informações para saber a dimensão exata do que está acontecendo por lá.
As manifestações tiveram início na última sexta-feira após o governo iraniano anunciar um aumento de 50% no preço da gasolina, limitado a 60 litros por mês — e um reajuste de 300% para os litros adicionais.
Assista ao vídeo.
O presidente do Irã, Hassan Rouhani, afirmou que tomou esta decisão “em prol do interesse público” e que o dinheiro gerado seria distribuído entre a população mais pobre.
A medida foi recebida, no entanto, com revolta no país, que está sob forte pressão econômica desde o ano passado, quando os EUA voltaram a impor sanções contra Teerã, após abandonar o acordo nuclear.
As sanções — que têm como alvo sobretudo os setores petrolífero e financeiro do país — levaram ao colapso das exportações de petróleo do Irã, à desvalorização do rial (moeda local) e ao aumento dos preços de itens básicos.
Segundo relatos, os protestos se espalharam rapidamente por todo o país, causando sérios danos a instalações públicas e privadas.
De acordo com a agência semioficial de notícias Fars, pelo menos 100 bancos e 57 lojas foram incendiados — e cerca de mil pessoas foram presas.
Imagens de vídeo a que a BBC teve acesso parecem mostrar as forças de segurança do governo atirando diretamente contra os manifestantes para reprimir os protestos.
A Anistia Internacional afirma ter recebido informações confiáveis de que pelo menos 106 pessoas foram mortas em 21 cidades.
As autoridades não confirmam, no entanto, o número de mortos.
Rupert Colville, porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que era extremamente difícil verificar o número total de mortos, mas que a imprensa iraniana e várias outras fontes sugeriam que dezenas de pessoas teriam sido mortas durante os protestos.
Ele declarou ainda que estava “profundamente preocupado” com as denúncias de violação de normas internacionais em relação ao uso da força, incluindo o disparo de munição real, contra manifestantes.
“Pedimos às autoridades e forças de segurança iranianas que evitem o uso da força para dispersar as manifestações pacíficas e, nos casos em que uma manifestação for violenta, restrinjam o uso da força o máximo possível.”.
“Também pedimos que os manifestantes realizem manifestações pacificamente, sem recorrer à violência física ou à destruição de propriedades”, acrescentou.
O presidente Rouhani afirmou, por sua vez, no domingo que “as pessoas têm o direito de protestar, mas que protestos são diferentes de motins”.
“Não devemos permitir insegurança na sociedade”, completou.
A situação do país não está clara, no entanto, devido ao bloqueio da internet e da telefonia móvel imposto pelas autoridades.
Não é a primeira vez que o governo iraniano bloqueia o acesso à internet, mas no sábado à noite as autoridades cortaram a conexão de quase todos os cidadãos — no maior “apagão” da web já registrado no país.
Até quarta-feira, o Irã continuava praticamente offline.
Segundo os especialistas, o motivo do bloqueio é claro: impedir o acesso e a troca de informações sobre os protestos que eclodiram no país.
De acordo com a NetBlocks, ONG que monitora o acesso à internet no mundo, 65 horas depois do bloqueio, a conectividade do país tinha caído para apenas 4% do seu nível normal.
O Irã não é o único que país a impor restrições à internet para impedir a disseminação de informações. China, Rússia, Arábia Saudita, Índia e Turquia, entre outros, também já adotaram medidas do tipo para limitar o acesso de seus cidadãos a determinados conteúdos.
Mas, segundo a NetBlocks, este é bloqueio mais extenso já registrado pela organização.

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez