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Por que os protestos prosseguem em Hong Kong apesar do recuo do governo sobre lei de extradição?   The New Yooker Times 6703 hong kong   urandir   MUNDO   Por que os protestos prosseguem em Hong Kong apesar do recuo do governo sobre lei de extradição?
Revolta maior é contra o controle chinês. Trata-se de uma cruzada dos residentes para manter a identidade de Hong Kong, em favor da liberdade de expressão e da democracia. Protestos pedindo a renúncia da líder de Hong Kong, Carrie Lam.
Tyrone Siu/Reuters
Não bastou a suspensão do projeto de lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes de Hong Kong para a China. Ao contrário, o volume dos protestos praticamente dobrou porque centenas de milhares de manifestantes almejam muito mais: a retirada do projeto e a renúncia da diretora executiva da cidade, Carrie Lam, alinhada a Pequim.
A revolta maior, contudo, é sobre o controle chinês sobre a ex-colônia britânica. Trata-se de uma cruzada de seus residentes para manter a identidade de Hong Kong, em favor da liberdade de expressão e da democracia, direitos assegurados durante 50 anos pela Lei Básica, em 1997, quando a cidade foi devolvida à China.
A realidade mostrou que ao longo destes 22 anos, porém, o princípio “um país, dois sistemas” ficou para trás, com frequentes ingerências de Pequim ao estado de direito, estruturado no modelo ocidental e em vigor até 2047.
Por isso, o projeto que facilita a extradição de um suspeito para ser submetido a um sistema jurídico chinês cheio de falhas provoca tanta desconfiança e apreensão. Basta imaginar o destino de um dissidente político chinês que fosse extraditado de Hong Kong para ser julgado em Pequim.
Desta vez, ao contrário da Revolta dos Guarda-Chuvas, em 2014, quando não houve concessões e os líderes do movimento foram mandados para a prisão, o governo recuou. Lam adiou a apresentação do projeto. Depois que quase um terço da população invadiu as ruas pela terceira vez em uma semana, ela pediu desculpas. Tarde demais.
A diretora-executiva conseguiu desagradar a todos — Hong Kongers, como os residentes preferem ser chamados, empresários e, sobretudo, o governo chinês. Os manifestantes não aceitaram as desculpas de Lam sobre a condução de sua controversa lei; o presidente Xi Jinping se viu obrigado a fazer uma concessão, pela primeira vez em sete anos no comando da China.
Tudo leva a crer que a suspensão do projeto foi um recuo tático, acertado num encontro secreto entre Lam e o vice-premiê chinês, Han Zheng. Mas tanto a chefe-executiva de Hong Kong quanto o governo chinês parecem estar de mãos atadas diante do rumo incontrolável que tomaram os protestos, sem uma liderança específica e insuflados pelas redes sociais.
Carrie Lam argumenta que não desistirá de seu projeto, como exigem os manifestantes, porque isso levaria crer que ele não tinha fundamento. O governo chinês, por sua vez, enfrenta seu maior constrangimento às vésperas da reunião do G20, no Japão, mas não tem como demiti-la agora porque seria mais uma admissão do erro.
A saída de Lam está longe de ser a solução da crise, uma vez que o líder é eleito por um comitê repleto de aliados da China. Depois dela, haverá outro. E também nova ofensiva do continente para tentar ruir o sistema democrático do território semiautônomo.

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fonte: g1.globo.com revisão Urandir Martinez